Os acertos e erros de Stranger Things 2

Sem spoilers até certo ponto. Depois é por sua conta e risco.

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Posso falar com segurança que Stranger Things é uma das minhas séries favoritas no momento. A estética anos 80, as referências da cultura pop, a trilha sonora e os personagens extremamente cativantes é uma combinação que mexe com os meus sentimentos.

Passar 9h de um sábado maratonando a 2ª temporada valeu a pena, mas não deixou o gostinho de “quero mais” como na temporada anterior. Quer entender o motivo? Então continue lendo este post. A primeira parte está livre de spoilers, então se você ainda não viu a série pode ficar tranquilo.

Antes de falar sobre a 2º temporada é importante lembrar que, quando a série estreou em julho de 2016, veio acompanhada por mais curiosidade do que expectativa, cenário totalmente diferente do atual. Na época tínhamos praticamente uma página em branco.

Só que essa página em branco foi preenchida por elementos narrativos e visuais, que deram muito certo na proposta da série. Com todo essa expectativa, como superar a 1º temporada e não decepcionar os fãs? 

Acredito que essa também tenha sido uma das preocupações dos irmãos Duffer e de toda a equipe criativa.

A temporada 2 sem spoilers

Em relação à 1ª temporada, agora temos um antagonista conceitualmente mais difícil e efeitos especiais melhores, que antes eram uma mistura de prosthetic makeup e computação gráfica, mas que não se sustentariam dentro da narrativa apocalíptica desse segundo momento.

Embora esses dois pontos sejam importantes, a série ainda é marcada pelos personagens, que passaram por mudanças importantes.

Enquanto Dustin e Steve amadureceram – da infância para adolescência e da adolescência para os desafios da vida adulta -, Eleven precisou encontrar seu lugar no mundo.

Transformações são sempre delicadas. Embora Steve tenha sido um dos grandes acertos da temporada, outros personagens foram totalmente subaproveitados como é o caso de Mike. Até mesmo a jornada de Eleven deixou a desejar em certos momentos.

O fato é que as mudanças dessa temporada de alguma forma foram naturais e convincentes, porém não surpreendentes.

Novos personagens que parecem deslocados, uma antiga conhecida com um novo visual e um vilão muito mais complexo, que deixa o antigo Demogorgon parecendo um pet.

Essas são algumas coisas que você pode esperar dessa temporada, que é tão imersiva quanto a a anterior, mas que infelizmente não consegue superá-la. 

Spoiler! Spoiler! Spoiler!

Um monstro mais complexo

Quando Will vomitou uma gosma do Mundo Invertido no final da 1ª temporada, dava para saber que muito mais tretas viriam a seguir.

Se há uma regra nesse gênero de história é que, se alguém morre ou quase morre, não volta igual. Quer alguns exemplos? Cemitério Maldito, Buffy – A caça vampiros e até mesmo Supernatural, onde ninguém fica morto por muito tempo. Com Will não foi diferente.

Will, interpretado pelo ator Noah Schnapp, conseguiu transitar de forma muito suave entre o “Will Legal” e o “Will do Mal”, que foi o suficiente para deixar o espectador em dúvida quanto às suas intenções. Quando ele claramente é possuído pelo Monstro das Sombras, que cria um vínculo mental e físico com o menino, as coisas ficam dramáticas! O ator realmente surpreendeu em sua atuação e virou um dos meus personagens favoritos. Eleven Who?

Nota 10 pro menino Will na Aula de Educação Artística por esse desenho do Monstro das Sombras.

Agora não temos mais um vilão puramente instintivo como o Demogorgon, que tinha como único objetivo devorar Eleven. Temos um ser ancestral, consciente, manipulador e capaz de criar uma rede neural compartilhada com os seres do Mundo Invertido. Ele é o próprio medo e quer invadir nosso mundo trazendo sua própria realidade. No final foi mandado embora pra casa, mas agora ele conhece Eleven e provavelmente vai fazer de tudo para voltar ao nosso mundo.

Essa complexidade do vilão foi capaz de elevar em muito as dificuldades dessa temporada, demonstrando uma evolução consistente na narrativa. Will, que havia sumido a temporada passada inteira, agora é veículo de possessão e chave para muitos momentos apreensivos. Sim, eu adorei o menino Will e vou exaltá-lo até o final deste post.

A missão dos personagens

Algo muito positivo foi como os demais personagens lidaram com o monstro, cada um contribuindo com suas próprias “especialidades” e validando a importância para a série: Joyce destruindo mais uma vez sua casa e resolvendo os mistérios, Hooper sendo o cara mão na massa, Dustin e Lucas se metendo em “altas confusões” para tentar ajudar o amigo. Já Mike ficou praticamente a temporada toda lamentando a ausência de Eleven e só voltou a ser relevante nos episódios finais. 

A questão é que o núcleo infantil e adolescente está passando não apenas por transformações físicas, mas psicológicas. Enquanto Nancy e Jonathan engataram um namoro mais do que óbvio, Steve, anteriormente o personagem mais odiável, foi um dos grandes acertos quando se redimiu e foi verdadeiramente útil para a trama. Diferente de alguns, não é mesmo? 

Precisamos mesmo de novos personagens?

Mad Fucking Max e Billy, o otário.

Bob (Sean Astin) é novo namorado de Joyce e foi definitivamente o melhor acréscimo. Ele representou uma nova esperança para a família e contribuiu para que personagens importantes chegassem ao final vivos. 

Em diversos momentos ele também serviu para levantar suspeitas de que sua bondade era mais uma máscara de espião, o que no final não aconteceu. Sua morte elevou o drama da série, afinal, coisas terríveis estão acontecendo o tempo todo e alguém relevante precisa morrer para refletir na motivação dos outros personagens. Triste, porém necessário. Nada mais chato do que uma série onde só morrem figurantes, não é mesmo?

Acredito que o personagem cresceu mais do que os roteiristas esperavam. A relação de Bob com a tecnologia, inserida em pontos-chave, ajudou a ambientar ainda mais a série nos anos 80. Foi uma ótima sacada!

Além de Bob, tivemos o acréscimo do jornalista Murray, contratado para investigar o desaparecimento de Barb. Embora os fãs tenham se manifestado para que a morte da personagem fosse vingada, a introdução de Murray não pareceu a melhor solução. E já explico: ele simplesmente é mais um personagem que não teve um desenvolvimento decente. 

Arte por megan-crow.com

Assim como Billy, que veio para substituir Steve no papel do vilão humano, como mesmo os criadores da série comentam no documentário “O Universo de Stranger Things”. Billy é odiável e sinceramente não encontra função na narrativa central, o que espero que mude nas próximas temporadas. 

Mad parece ter vindo para causar tensão entre os meninos, o que não me deixa nada feliz quando o assunto é o desenvolvimento dos papéis femininos na série. Quero ver Eleven e Mad Max BFF e chutando bundas. Simples assim.

Eleven e sua jornada de autoconhecimento

A regra é clara: Colocou look dark então é pra tocar terror.

Em paralelo, longe da cidadezinha fictícia de Hawkins, Eleven ganhou sua própria linha narrativa, que começou ainda na primeira cena da temporada, quando conhecemos 008/Kali ou a “irmã” – alguém lembrou de Orphan Black?

Enquanto os demais personagens confrontavam o Monstro das Sombras, Eleven precisou encarar seu próprio passado e história de vida.

Descobrimos que Hopper resgata a menina e eles ganham uma dinâmica de pai e filha. Essa combinação deu muito certo e espero ver mais no futuro. Logo depois Elevem foge do “cativeiro” e acaba sendo enquadrada na Jornada do Herói ao sair da segurança para enfrentar os obstáculos que influenciarão sua evolução como personagem.

Sua mãe que não morreu, mas está para sempre perdida, foi um grande ponto para essa transformação. A nova personagem não colabora em nada para a grande narrativa, mas serve de contraponto para a jornada interna de Eleven.

É por meio de Kali e suas ações, que Eleven percebe que não deseja o caminho da vingança e resolve voltar para casa, onde seus amigos estão. Confesso que achei essa saída um tanto ingênua, mas fiquei curiosa para conhecer outras crianças/experiências do laboratório.

Concessão, a palavra ensinada por Hooper, fala muito sobre o aprendizado de Eleven: a vida é assim, não podemos ter tudo o que queremos, mas ainda assim podemos vislumbrar alguns momentos que valem a pena. Com esse aprendizado ela retorna a unir todos os núcleos – que nem um novelão da Globo – e surge como um deus ex-machina para salvar o povo. Não é a melhor solução, mas a menina teve timing para evitar o apocalipse.

A impressão final dessa temporada é que talvez os pontos da narrativa não ficaram muito bem amarrados. Em diversos momento achei a história picotada. Eleven, que é uma das personagens mais interessantes, acabou tendo sua história contada à parte, o que não é problema algum, mas pareceu deslocada de todo o resto. Sinceramente em muitas vezes eu não estava interessada com o que aconteceria com ela, sendo que é a personagem mais cool da série. Algum problema tem, não é?

Referências

Who you gonna call?

As referências durante o filme foram muito divertidas, mas não tão importantes nessa temporada. Acredito que seja um ponto positivo, pois conteúdo audiovisual que vive apenas de referências não consegue se sustentar por muito tempo.

Desta vez tivemos Enigma de Outro Mundo, Caça Fantasmas, ET (quando Eleven se fantasia de fantasma e quer sair na rua) e o Exorcista, que ficou claro no personagem Will. Além disso, tivemos uma pequena referência à Punky: A Levada da Breca, um programa que esteve muito presente na minha infância! <3

O que esperar do futuro

Tivemos poucas pistas para o que virá a seguir. O arco fechou completamente e eu, sinceramente só consigo pensar nas crianças mais velhas vivendo seus dramas adolescentes. Provavelmente o Monstro das Sombras retornará ainda mais forte, depois de um período de paz em Hawkins. Porque, afinal, Stranger Things não é uma série para personagens felizes, não é mesmo? Tudo indica que a história irá por esse caminho. A boa notícia, no entanto, é que  a terceira temporada já está confirmada e em desenvolvimento

Resumindo tudo que falei

A 1ª temporada ainda é minha preferida, mas valeu maratonar a série e me reencontrar com esses personagens tão queridos, engraçados e intensos. Os pontos fracos da série não foram tão problemáticos para que a minha experiência fosse menos válida, tanto que muitos “defeitos” percebi apenas enquanto estava refletindo para escrever esse textos. No final, gostei do resultado e veria tudo novamente.

E você, o que achou? Deixe sua opinião nos comentários e vamos continuar a escrever esse post juntos! 😛

Como aproveitar melhor

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