Comece a escrever um diário agora mesmo

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Em janeiro de 2016 comecei a escrever um diário. Foi praticamente um evento cósmico sem precedentes, porque nunca me dei bem com essas coisas. Sempre registrava minhas “camillices” em caderninhos bonitos para depois passar um trabalho desgraçado destruindo. Os segredos de alguém com 10 anos são terríveis, não é mesmo?

O grande motivo para aos 26 anos insistir novamente no assunto foi basicamente a vida adulta acontecendo. Se você é maior de idade e paga as próprias contas, sabe o que estou falando: quando a realidade não corresponde às expectativas e finalmente começamos a nos desesperar just like Rory Gilmore.

Normalmente nesses momentos extrapolamos a cota de reclamações. Não sei vocês, mas quando isso acontece fico tão insuportável, que nem mesmo eu consigo aguentar. Imagine os outros. Terrível.

Rory e Lorelay no revival de Gilmore Girls. Tudo deu errado na vida da menina prodígio e a gente se identificou completamente.

Contar sua história é importante

Na mesma época o storytelling entrou na minha vida. Para quem não sabe – de forma bem resumida – é a arte de contar histórias. O que você precisa saber é que contar histórias é algo tão natural para os seres humanos como respirar, andar ou comer brigadeiro em uma tarde de domingo preguiçoso.

Contar histórias é natural porque temos uma grande necessidade de compartilhar experiências. É assim que por milênios a humanidade sobreviveu, evoluiu e foi capaz de manter registros do passado.

Você também precisa saber que exatamente por isso somos histórias que se alimentam de histórias. Não entendeu? Explico direitinho: você e sua personalidade são moldados pelas histórias que permeiam o mundo, sejam as grandes narrativas, as suas experiências ou experiências que foram transmitidas para você.

Tudo muito bonito e poético, não é mesmo? Só que o mundo está muito doido e não estou falando apenas sobre presidentes que parecem ter saído de sitcoms.

Todos os dias nós assimilamos muitas informações. Ainda na década de 70, um economista chamado Herber Simon percebeu que rolava um excesso de informações. Agora volte para 2017 e pense na quantidade absurda de dados que recebemos todos os dias via Whatsapp, Twitter, Facebook, YouTube, Instagram, etc. Ufa, minha cabeça, viu?!

Não construímos mais nossa personalidade com base em grandes narrativas ou histórias com começo-meio-fim, mas em fragmentos da vida dos outros. Para saber mais sobre o assunto leia um texto que escrevi no Medium.

Então fiquei pensando: Qual é a minha história se nós vivemos nesse quebra-cabeça de referências? Foi isso que quis descobrir quando comecei o tal diário. Tentar juntar tudo e ver se alguma coisa fazia sentido. Olha só o que descobri:

  • Revisar a vida é necessário

Colocar os pensamentos no papel ajuda a organizar a mente. É como uma segunda chance para refletir sobre os problemas e nossa relação com os outros. Você escreve, deixa descansar que nem pãozinho feito em casa e depois tem a chance de reavaliar as coisas quando estiver mais centrado. Será que fui justa com fulaninho? Será que essa atitude de cicraninha significa outra coisa? Pois é, só dá para revisar aquilo que você documentou. Ler a vida em terceira pessoa dá uma nova perspectiva, vai por mim. Algumas vezes conseguimos ser bem ridículos.

  • Transformações acontecem o tempo todo

É impressionante reler os textos e perceber transformações, mesmo que sutis, no modo como você avalia a vida. Às vezes não dá nem para se reconhecer em uma narrativa escrita há 6 meses.

  • Desabafar sem magoar ninguém

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Desabafar sem medo de magoar ou preocupar pessoas próximas é a melhor coisa que pode vir do hábito de registrar seus sentimentos – a não ser é claro, que alguém leia sem permissão. Acho que esse é mais ou menos o papel dos psicólogos: você conta as coisas feias, os pensamentos negativos, mas há um distanciamento.

Assim é com o diário. Usamos para organizar os pensamentos, mas no meio do processo não incomodamos ninguém. Além disso, é bom deixar certos pensamentos se desenvolverem antes de compartilhá-los.

Ainda tem aqueles casos em que você pode ler o que registrou, facilitando talvez uma conversa difícil. Anotações são sempre bem-vindas nessas horas.

  • Sua letra revela muita coisa

Tem dias que a sua letra estará como se fosse uma princesa Disney, mas em outros provavelmente serão apenas garranchos. Isso porque ninguém está sempre 100% bem e diários servem exatamente para descarregar sentimentos, que às vezes podem ser intensos. É muito fácil perceber oscilações de humor apenas pelo formato das letras e, por isso mesmo, é importante desapegar dos erros e do medo de estragar aquele caderninho-maravilho-que-você-gastou-uma-fortuna. Se joga!

  • É diferente de postar nas redes sociais

“Ah, mas eu escrevo o tempo todo nas redes sociais. Minha vida está mais do que documentada”. Nem preciso dizer que isso é pura ilusão, não é? Sabe aqueles momentos do dia em que precisamos de privacidade no banheiro? Pois é, assim são os nossos sentimentos. Ao mesmo tempo que estamos sorrindo, podemos estar passando por um turbilhão de sentimentos, que não cabem em uma foto de café no Instagram.

  • Esquecemos das partes boas

Uma coisa que percebi relendo meus rabiscos foi a grande quantidade de passagens negativas. Nesse momento parei e reavaliei meu ano, que no geral não foi ruim. O que aconteceu nesse meio tempo? Quando você tem uma tendência negativista é importante registrar os bons momentos, afinal um dia você vai querer/precisar lembrar deles. É um diário, não uma história do Stephen King.

  • Encontrei uma utilidade para os caderninhos

Sou acumuladora de caderninhos confessa. E o que acontece com pessoas que são viciada em caderninhos? Sim! Eles ficam encalhados em algum lugar esperando que a pessoa perca o medo de estragá-los. Diários são as melhores desculpas para comprar agendinhas, caderninhos e Moleskines da vida. Então se você precisa de um bom motivo, comece a escrever seu diário agora mesmo. Esse já é um ótimo argumento para seguir o título mandão desse post, certo?

Viu? Uma verdadeira terapia para aqueles momentos difíceis da vida adulta, mas se quiser pode colar uma porção de adesivos da Hello Kitty. Ninguém vai julgar.

Você costuma escrever diários? Conte aí nos comentários como é essa experiência. Quero saber de verdade. 😉

Imagem de capa: Freestocks.org

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2 comentários

  1. Muito legal o post! Estou escrevendo diario há quase dois anos e tenho tido experiências parecidas… gera muito autoconhecimento e ajudaa lembrar de muitas coisas que no decorrer dos dias acabam esquecidas. Além disso acho um ótimo exercício de disciplina.

    Além disso também tenho feito um diário de sonhos (boa forma de gastar ainda mais cadernos). É curioso começar a notar certo padrões nos seus sonhos ao longo do tempo, ou ver o quanto pequenos eventos podem te afetar, se tornando tema de um sonho

    • Oi, Lucas! Esse diário dos sonhos parece ser interessante. Eu tenho um diário de agradecimento, onde todos os dias tendo agradecer por alguma coisa no formato de frases. Ah! Obrigada por ler e comentar aqui no blog! 😀 Beijos

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